Os bastidores de uma convenção
O Jornal Integração publicou em suas duas últimas edições uma falácia. Segundo o periódico, o Professor Tarciso seria o candidato de consenso do Partido dos Trabalhadores no município de Paracambi.
É mentira! De acordo com o calendário instituído pela Executiva Nacional, as primárias do partido ocorrerão apenas em maio de 2008. E enquanto existir mais de um pré-candidato, não há campanha oficial. A executiva municipal não tem poderes para determinar candidatos. Felizmente, apenas os filiados podem decidir tal questão.
Procurei o Sr. Geraldo Pançardes, responsável pelo Jornal Integração. Segundo ele, a matéria foi publicada a partir de uma entrevista realizada com o outro pré-candidato. De acordo com a lei jornalística, publicar uma matéria sem comprovar a veracidade dos fatos e prejudicar outrem nesse processo, gera direito de resposta. Recebi do Sr. Geraldo a garantia de que publicaria uma carta explicando o episódio.
Mas, irei além. O que aconteceu dentro do partido merece uma explicação mais geral. Não ficarei satisfeito em apenas desmistificar esse “mal entendido”. Embora, o outro candidato não seja nem merecedor do eufemismo por conta da mentira. Explicarei o processo desde o início, para que não restem dúvidas. Acho que a democracia é fortalecida quando os bastidores do poder tornam-se públicos, como no caso Collor.
Sempre manifestei a vontade de ser candidato e dar continuidade ao trabalho do meu tio. Não por acreditar em um fator aristocrático da política, em um caráter hereditário. Mas, por estar ciente de que, mesmo muito jovem, conheço todos os fundos, processos e procedimentos administrativos da prefeitura. E na ausência de outro nome, muitos consideram um “Ceciliano” a via com mais chances.
Meu tio sempre foi reticente pelo fato de ser muito jovem, acreditava que haveria uma rejeição natural a isso. Sinceramente, o outro pré-candidato apresenta um histórico que pode gerar rejeições muito maiores que essa. Mas, não estou aqui para discutir isso.
Até maio desse ano, o candidato do PT seria o Dr. Evandro. Não por escolha interna, mas, por um acordo firmado na campanha de 2004. O professor Tarciso estava criando muitos problemas por conta disso. Ameaçou travar o processo e até mesmo lançar candidatura paralela, através do PSOL. Por uma questão de amizade e acreditando na não desistência do Dr. Evandro, André sucumbiu a uma proposta do Professor. O pedido foi: “André, se o Dr. Evandro desistir você me apóia?”.
No dia seguinte a essa conversa, meu tio conversou comigo e contou o ocorrido. Perguntei a ele como ficaria nessa história. Ele disse: “Não se preocupe. Dizer que o apóio não é torná-lo candidato. Ainda assim, ele terá que vencer a convenção. E muitas pessoas não o querem dentro do partido. Se você trabalhar na base, conseguirá sagrar-se vencedor e será o candidato com meu apoio.”.
Para deixar tudo muito claro, repliquei: “Então, o processo será justo e isento? Você não irá intervir a favor dele?”. Ao que ele respondeu: “Não, direi que ele tem meu apoio. Mas, ele tem que conseguir a maioria sozinho.”.
A partir dessa garantia, resolvi entrar no processo. Na primeira plenária, lancei minha candidatura e comecei a correr atrás de apoio. Trouxe pessoas importantes para o meu lado, significantes dentro do partido. Como o vereador Gaguinho, Erivelton, Levi, Quequeba, Norival Goveia, entre outras. Pessoas que estão em contato direto com a base de filiados. Na última contagem, vencia a convenção com uma larga diferença. Atingia 74% dos votos válidos, o que me tornava praticamente invencível.
Só uma pessoa poderia me derrotar no processo: André Ceciliano. Foi quando comecei a ver uma movimentação de “choro de perdedor” e fiquei com medo de que meu tio se sensibilizasse e intervisse pelo amigo. Não por acreditar na candidatura, mas, por entender o que representaria uma derrota como essa para alguém naquela idade. Foi quando ele me procurou para dizer que eu deveria desistir da candidatura. Entretanto, não me apresentou nenhum argumento válido para tanto. Quando disse que não poderia fazê-lo, ele retrucou dizendo que iria intervir a favor do Tarciso no processo. Eu disse: Tudo bem! Mas, tenha a certeza de que estará cometendo uma covardia.
Uma coisa é disputar com o professor Tarciso, dono do Alcance, outra, é disputar com André Ceciliano, prefeito de Paracambi. Para o segundo, eu perco de 10 a 0. E com orgulho, porque sei que é alguém que amo, admiro e respeito muito.
O que aconteceu, desde então, foi o esvaziamento da minha campanha. Todas as pessoas que estavam comigo e exerciam cargos no governo foram forçadas a apoiar o professor. Não fui procurado para dar entrevistas ao Globo Baixada e não fizeram pesquisa induzida com meu nome. Tive que saber da minha citação através da pesquisa de um candidato de oposição. E, mesmo não possuindo curso pré-vestibular e nunca tendo dado aula para ninguém, fiquei 3 pontos percentuais à frente do Prof. Tarciso.
Minha postura é clara: não vou desistir do processo, não posso aceitar tal pressão. A prerrogativa da faixa etária não é aceitável, vão ter que provar que o outro é mais capaz, que possui mais chances. Vou fazer valer a democracia e me utilizar de todos os recursos legais para tanto.
Ultimamente, certas pessoas estão dizendo que o Prof. é o “candidato do governo”. Acho que ainda não perceberam a ilegalidade de tal afirmação. Governo é maquina pública, que é dinheiro do povo. E não se pode fazer política partidária com o dinheiro do povo. Acho que deveriam repensar esse conceito, vão acabar incorrendo em um crime eleitoral.
Não posso aceitar que alguém queira vencer um processo democrático no grito, ainda mais dentro do PT. Os filiados têm o direito de escolher avaliando as propostas. Fazê-los engolir uma indicação é um crime, além de totalmente antiético. Quem não consegue vencer uma convenção, não pode disputar o pleito. Pelo simples fato de não possuir aceitação real dentro da base. Sinceramente, não sei como alguém pode dormir tranqüilo sabendo que vencerá um processo porque forçaram a desistência dos outros candidatos. Não vejo muita dignidade nessa atitude.
Em resumo, gostaria de ratificar a toda a população e filiados minha pré-candidatura, dizer que acredito no crescimento do município e na continuidade dos projetos. Não desistirei, apesar de tudo o que possam dizer e publicar. A juventude está cansada de assistir de arquibancada o jogo do poder. Estamos aqui para contribuir, mudar o quadro nacional e trazer mais dignidade e ideal para a política. Meu tio é um político jovem, sei que entende minha posição. Gostaria de reforçar a idéia de que estamos em um processo democrático e que esse preceito deveria ser respeitado, independente dos egos ou vaidades.
Meu nome é Marcos André Ceciliano, amo minha cidade e sou pré-candidato a prefeito pelo Partido dos Trabalhadores.
Sem medo de ser feliz!